
Em abril de 2025, o empresário, professor de tênis e árbitro Danilo Durante Gaino assumiu a presidência da Federação Paulista de Tênis. Líder da chapa “Tênis Paulista em Movimento”, o novo presidente, de perfil multidisciplinar, já começa a imprimir seu ritmo no tênis e no beach tennis de São Paulo.
O esporte corre em suas veias desde menino. Joga tênis desde os oito anos e, embora atue também no setor imobiliário, nunca se afastou das quadras. Foi atleta, virou profissional e conhece de perto o funcionamento da federação, onde atuou como vice-presidente na gestão de Luiz Fernando Balieiro.
A centenária Federação Paulista de Tênis é uma das principais forças do esporte no Brasil. Fundada em 1924, organiza anualmente centenas de torneios de tênis, beach tennis e tênis de cadeira de rodas, e hoje é um dos pilares do desenvolvimento do beach tennis no país.
Em 2025, a entidade respondeu por quatro dos mais importantes eventos do circuito internacional: Sand Series São Paulo, Sand Series Ribeirão Preto, Sand Series Finals e Copa do Mundo de Beach Tennis.
Não é homem de gabinete, é um homem de campo e de quadra. Boa praça, sempre com um sorriso largo, age com a mesma naturalidade ao representar a federação mais poderosa do país em eventos oficiais ou ao avisar que vai acordar cedo para comprar frutas para os atletas no hortifrúti da sua cidade. Na entrevista, prometeu, com entusiasmo de menino: a turma do beach tennis pode sonhar. O esporte agradece.
Presidente, desde que assumiu a Federação Paulista de Tênis, o senhor promoveu uma verdadeira revolução no beach tennis. Encampou o Pan-Americano, assumiu o ITF Sand Series Finals de última hora, levou a Copa do Mundo para Ribeirão Preto, montou um “dream team” para a Copa das Federações e já anunciou ainda mais novidades para 2026. Como vocês conseguem dar conta dessa engrenagem?
O que a gente quer é realizar. Começamos o mandato, em abril, com uma diretoria muito consistente, liderada pelo Geraldo e pelo Rogério, e logo entendemos que seria preciso fortalecer o time. Vieram então Guilherme Prata e Jefferson Pinto, dois profissionais com trajetória sólida no beach tennis. Nosso objetivo é claro: fazer o esporte crescer de forma ordenada e sustentável. São Paulo já faz muito, mas pode mais. Entendemos o beach tennis como uma ferramenta de inclusão e queremos investir nisso. Já avisei à CBT e a todos os parceiros: se cair uma data, se houver um problema, a gente socorre. Somos parceiros para levantar torneios e, quando o projeto se estabiliza, devolvemos a data. Não trabalhamos com ego nem vaidade. Queremos manter o Brasil na dianteira. Quem precisar de São Paulo, vai encontrar apoio.

Como foi a transferência de última hora do ITF Sand Series Finals para Ribeirão Preto? Como é possível realizar um evento tão grande e tão importante para o esporte em tão pouco tempo?
Se, por qualquer motivo, o evento não se realizasse, perderia credibilidade, charme e força. Mas a federação não estava sozinha. Nosso parceiro Anderson Rubinato, da Golaço, já estava com a arena pronta para a Copa do Mundo. Não precisou construir nada, apenas adequar o visual. Conversamos, e ele comprou a briga com a gente. Fizemos então um verdadeiro tour de force entre ITF, Federação e Golaço. É um produto que valoriza os melhores jogadores do ano, fortalece o esporte como um todo e está em sintonia com os grandes eventos mundiais.




A Copa do Mundo foi um sucesso no ano passado em São Paulo; este ano, veio para Ribeirão Preto. Em 2026, último ano no Brasil, ela continua em São Paulo?
Ainda não decidimos. Pode ser, inclusive, que não seja em São Paulo. Entendemos que a Copa precisa rodar o Brasil. Podemos fazer em parceria com outra federação fora do estado. Não temos bairrismo. O que importa é expandir o beach tennis. Para isso, o esporte precisa circular.
Atualmente, São Paulo realiza dois Sand Series, um na capital e outro em Ribeirão Preto. Esses eventos já estão confirmados para 2026?
Confirmadíssimos. O que pode haver é mudança de local. Temos pedidos de algumas cidades e vamos avaliar com a ITF a possibilidade de itinerar.
Este ano, São Paulo foi campeão da Copa das Federações, quebrando a hegemonia de Paraná e Rio Grande do Sul desde 2022. Você se envolveu pessoalmente na montagem de um verdadeiro “dream team”: prometeu e trouxe o caneco. Como foi esse processo?
Eu sou homem de quadra. Dificilmente vão encontrar o presidente em uma sala com ar-condicionado. Estou nos torneios. Acompanhei tudo de perto. Conversamos com todos os treinadores e oferecemos tudo o que pediram: fisioterapia, frutas, alimentação, água, hotel próximo da arena, uma estrutura completa. Fomos para ser campeões. Desde a primeira entrevista eu disse: não viemos para brincar nem passear, viemos para ganhar. Foi duro, especialmente contra o Rio Grande do Sul, mas no último dia vencemos confrontos decisivos. E vale registrar: fazia muito tempo que uma mesma federação não ganhava o tênis e o beach tennis no mesmo ano. Nós conseguimos isso já no primeiro mandato. Logo de largada. E isso me deixou muito feliz.


Mas por que a Copa das Federações é tão importante?
A Copa fomenta o beach tennis em todo o Brasil. Para estados como São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná, que já têm tradição e estrutura, difundir o esporte é mais simples. Mas, neste ano, pela primeira vez, uma federação do Norte venceu uma categoria: o Amazonas foi campeão da categoria A. A realidade ali é muito diferente. Em alguns casos, um atleta leva um dia e meio de barco só para chegar a Manaus. Conversei com Artur, presidente da Federação Amazonense de Tênis, e entendi o peso dessa conquista para a região. Para muitos estados, mais do que ganhar, já é uma vitória estar presente com uma delegação. A Copa é inclusão. É o sonho de todo jogador amador vestir a camisa do seu estado. Isso também nos ajuda a manter um calendário extenso e vivo. Os critérios de convocação geram reclamações, é natural. Muita gente quer jogar e existem poucas vagas. Mas quem sonha com a Copa sabe que precisa lutar. O esporte transforma. Afasta crianças de caminhos difíceis e abre possibilidades. Eu mesmo não virei atleta profissional, mas segui no esporte como professor, árbitro e dirigente. O beach tennis é isso: uma porta que se abre em muitas direções.

Voltando a setembro, a Federação também se candidatou para sediar o ITF Beach Tennis Pan American Championships. Como foi essa decisão?
O de sempre: até a metade do ano, ninguém tinha se oferecido para organizar o evento. Nenhum país, nenhuma cidade. Quando me procuraram, respondi na hora: São Paulo faz. Só não definimos de imediato a cidade. Consultamos o Carlinhos Romagnolli, nosso parceiro em eventos, e entramos de cabeça. O resultado foi um evento lindo, em Caraguatatuba. Tivemos recorde de países participantes e de medalhas para o Brasil. Caprichamos na estrutura e demos visibilidade ao evento. A quadra central ficou cheia todos os dias. A cerimônia de abertura teve desfile das delegações dos 18 países e foi transmitida ao vivo pelo Play BT. Um momento emocionante para o nosso continente. O evento também movimentou a economia local, especialmente hotéis e restaurantes. Foi fundamental o apoio do prefeito de Caraguatatuba, Mateus Veneziani, e da secretária estadual de Esportes, Helena Reis. Nossa ideia era dar grandeza a uma competição essencial para o desenvolvimento do beach tennis nas Américas. O Pan-Americano reuniu cerca de 300 atletas de 18 países. Se alguém quiser organizar no próximo ano, ótimo. Mas já solicitamos que São Paulo sedie novamente.
Gui Prata e Jejé já exerciam funções estratégicas na Confederação Brasileira de Tênis. Qual a intenção da federação com cada um?
O Jefferson veio para organizar. Temos um calendário extenso, inter-arenas, interclubes, inter-equipes. e precisávamos da experiência dele para estruturar o beach tennis em São Paulo. Também vamos mexer em formatos, dividir o estado em regiões para realizar competições simultâneas e fortalecer a base: crianças, amadores e juvenil. São Paulo é enorme, e essa descentralização é fundamental. O Jejé é unanimidade. É querido, generoso e ajudou muita gente a se organizar no Brasil inteiro. Já perguntaram se a gente emprestaria para outras federações. Empresta, sim, sem problema nenhum. A história do Guilherme fala por si. É campeão e é formador. Ensina, capacita e motiva. Na Copa das Federações, o trabalho dele com a delegação foi impressionante. Hoje, ele é um dos principais nomes da capacitação de professores no Brasil. Trouxemos peças-chave, cada uma na sua função. São profissionais experientes, que entregam tudo o que têm — e isso nos permite sonhar ainda mais alto.



Você está deixando todo mundo sonhar. Dá para manter esse ritmo por quatro anos? Podem sonhar. Vamos fazer isso e muito mais.
E tem dinheiro para tudo isso?
Dinheiro a gente arranja.
Arranja como?
A equipe é forte. Além de mim, tem Rogério, Raul, Petit… Todo mundo com vontade de fazer dar certo. A gente cria as oportunidades e corre atrás. Os parceiros veem que trabalhamos com seriedade e paixão. O resultado aparece, e isso se transforma em patrocínios e apoios. Pode ter certeza: todos os anos do nosso mandato serão intensos como este. Temos uma geração talentosa de atletas que surgiram depois da pandemia e não podemos deixar o ritmo cair. Isso movimenta o esporte no Brasil inteiro, não só em São Paulo. Não vamos perder o fôlego. Pode confiar!