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Entrevista com Iain Smith diretor de Beach Tennis da ITF

O sul-africano Iain Smith é o Head of Beach Tennis da poderosa ITF – International Tennis Federation, organização gestora global do tênis e do beach tennis. Ou seja, o cara é o dono da coisa toda. Com uma experiência de 27 anos na Federação Sul-Africana de Tênis, período em que desenvolveu o tênis no país e, de quebra, implantou o beach tennis. Em julho de 2022, Iain foi convidado a trabalhar na sede da ITF em Londres. Especialista nos códigos e normas do tênis, chegou para supervisionar a seção de arbitragem, que regulamenta milhares de torneios no mundo. Um ano e meio depois, em dezembro de 2023, foi consultado se estava preparado e se aceitaria encarar o desafio de comandar e desenvolver o beach tennis mundial. Deal! Iain está no Brasil para acompanhar de perto duas expressivas conquistas do primeiro ano de sua gestão à frente do beach tennis na instituição: o primeiro ITF Finals de Beach Tennis, competição que encerra a temporada de 2024 nos moldes da que já existe no tênis desde a década de 1980, e a Copa do Mundo de Beach Tennis, que chega repaginada à cidade de São Paulo, com a mesma estrutura e organização de um Sand Series, torneios equivalentes ao Grand Slam do tênis.

Por que você foi escolhido para comandar o BT na ITF?

Acredito que a ITF procurava uma pessoa que, além de entender, tivesse paixão pelo beach tennis. Eu fiquei muito honrado e entusiasmado com o desafio de trabalhar para o desenvolvimento do esporte. Já havia um retrospecto positivo, pois quando estava à frente da Federação na África do Sul, acolhemos a modalidade e chegamos a realizar dois grandes torneios Kia Summer Slam em 2018 e 2019. Já estava tudo previsto para 2020, mas foi cancelado por conta da pandemia. Acho que fui convidado por isso. 

Mas não foi o beach tennis que te levou a mudar para Londres e trabalhar na ITF…

Me mudei para Londres quando surgiu a oportunidade de comandar a arbitragem geral do tênis na ITF. Cheguei para ser responsável por todos os regulamentos oficiais e pela arbitragem. Essa é a minha grande formação.

Está completando um ano do seu mandato. Quais são seus planos para o beach tennis em 2025?

Meu sonho para 2024 era a realização do ITF Finals. Outro objetivo alcançado este ano foi aumentar o prize money; conseguimos isso também. A maioria dos torneios Sand Series aumentou o prêmio para U$ 75 mil. Fizemos o ITF Beach Tennis Finals com U$ 100 mil e já está confirmada a mesma premiação no Sand Series das Ilhas Reunião e também para o de Brasília. A intenção é que o Finals do próximo ano seja ainda maior. Fizemos toda a produção em sete semanas no Brasil. Os produtores entregaram um trabalho incrível. Recebi um feedback muito positivo dos atletas, o que demonstra que somos capazes de realizar grandes eventos. Vamos melhorar para o próximo ano. A ideia do Finals é encerrar o ano no ápice, um clímax da temporada. Tem que ser atrativo para patrocinadores para que, dessa forma, possamos aumentar o prize money. Queremos elevar os torneios de beach tennis para um outro nível. 

Qual a importância da TV nesses grandes torneios?

Nosso propósito para o próximo ano é crescer os torneios Sand Series e expandir para outros países. Brevemente, vamos anunciar mais um torneio da série na Europa e trabalhar para levar para novos continentes. Contamos com a Play BT para transmitir para o Brasil e ceder imagens para outros países, como está fazendo agora em parceria com ESPN, Disney Plus e também para a Itália e França. Ter uma televisão parceira especializada nos permite alcançar canais em diferentes países e tentar ampliar nossos passos. Podemos transmitir as imagens para o país e permitir que eles façam, localmente, a narração e os comentários como é feito no tênis; isso, sem dúvida, vai aumentar nosso alcance.

E as Olimpíadas, podemos sonhar?

É um sonho levar o beach tennis para os Jogos Olímpicos; entretanto, para conseguirmos, temos que fazê-lo realmente atrativo para o Comitê Olímpico. A única forma de conseguir isso é globalizar o esporte. Precisamos dar passos mais largos, estarmos presentes em todos os continentes, etc. Se formos capazes de conseguir isso, principalmente com os Sand Series, podemos mostrar que estamos em condições de efetivamente pavimentar um caminho global para o beach tennis Como vamos fazer isso?

Acredito que possa ser positivo dividir espaços com outros esportes, como o vôlei de praia, por exemplo. Nesse caso, é possível usar as mesmas estruturas e compartilhar as instalações. O que importa realmente aos olhos do Comitê Olímpico é sermos um esporte global. É fundamental ter as associações nacionais, como a Lawn Tennis Association, USTA, FFT, CBT e Tennis Australia, junto conosco. Trabalho para ter as Grand Slam nations animadas e solidárias com o beach tennis; isso vai nos ajudar muito. Os Estados Unidos têm, definitivamente, a oportunidade de desenvolver o beach tennis. Temos só que encontrar alguém realmente apaixonado. Eles já fazem alguns torneios pequenos. Espero que com o tempo possamos ter um ou dois Sand Series lá. Afinal, são um mercado importante para nós. Como eu falei no início, seria bom que tivéssemos ao menos um Sand Series em todas as grandes nações e uma relação estreita com os organizadores dos grandes torneios de tênis. Já temos a federação francesa totalmente envolvida nas Ilhas Reunião, que será o primeiro torneio de U$ 100 mil do ano, seguido do Sand Series Brasília, também confirmado com U$ 100 mil. Então, temos três torneios de U$ 100 mil confirmados no próximo ano, o que demonstra um grande apoio que nos ajuda a crescer. Tem o novo torneio da Europa e há ainda um novo pedido que estamos avaliando. Isso é só o começo. 

O beach tennis no Brasil parece uma criança que cresceu demais e não cabe mais nas suas roupas. Ao mesmo tempo, na Itália, era um jovem promissor que encolheu. O que nós podemos fazer para ajudar?

Somos muito gratos ao trabalho que a CBT tem feito, porque, sem os eventos no Brasil, estaríamos lutando em vão pelo beach tennis. Temos que aproveitar a expansão brasileira e surfar essa onda de sucesso para levá-lo de volta à Europa.

Como vai ser o calendário de 2025? 

Tentamos definir um calendário equilibrado, como o da ATP, por exemplo. Definimos os Sand Series e os BT 400, que têm semanas dedicadas exclusivamente a eles, além de adicionarmos os torneios menores. Divulgamos com antecedência para que os jogadores possam entender como vai funcionar. Queremos que tenham tempo para definir os treinos, passagens e tudo que envolve a organização de uma temporada. Além dos TOP players, queremos auxiliar todos os jogadores e também o público. Com as datas dos principais torneios definidas, as federações também podem marcar seus eventos em torno deles. 

Quando teremos o ranking de duplas mistas? 

Os jogos de duplas mistas são um título importante no Mundial de duplas e decisivos da Copa do Mundo. Vamos trabalhá-los mais para despertar o interesse dos jogadores e dos organizadores. Em 2025, vamos criar o ranking e começar a registrar os resultados. Em 2026, o ranking entrará efetivamente em vigor e será utilizado para acceptance.

Há algum projeto em curso para a categoria juvenil?

Também vamos criar um ranking para o juvenil. Um sistema automatizado com entradas e inscrições online. A intenção é ajudar a estruturar torneios para desenvolver a categoria e, como resultado e sonho final, realizar um Finals Next Generation.

A comunidade do beach tennis já pode comemorar?

Sim, com certeza, mas precisamos ter tempo para colocar todos esses projetos em pé. Estão surgindo grandes oportunidades para o beach tennis, só que temos que ir devagar para realizar um trabalho com alicerces sólidos. O lançamento do Beach Tennis Finals em Brasília, sem dúvida, marcou um momento crucial nesta jornada. Definitivamente, eu quero ter grandes torneios de fim de temporada nas diferentes categorias deste incrível esporte.

Autor: Raquel Silva – Play BT

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